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HINO À BELEZA

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , on maio 6, 2011 by Fernando Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

Hymn to Beauty

Do you come from Heaven or rise from the abyss,
Beauty? Your gaze, divine and infernal,
Pours out confusedly benevolence and crime,
And one may for that, compare you to wine.

You contain in your eyes the sunset and the dawn;
You scatter perfumes like a stormy night;
Your kisses are a philtre, your mouth an amphora,
Which make the hero weak and the child courageous.

Do you come from the stars or rise from the black pit?
Destiny, bewitched, follows your skirts like a dog;
You sow at random joy and disaster,
And you govern all things but answer for nothing.

You walk upon corpses which you mock, O Beauty!
Of your jewels Horror is not the least charming,
And Murder, among your dearest trinkets,
Dances amorously upon your proud belly.

The dazzled moth flies toward you, O candle!
Crepitates, flames and says: “Blessed be this flambeau!”
The panting lover bending o’er his fair one
Looks like a dying man caressing his own tomb,

Whether you come from heaven or from hell, who cares,
O Beauty! Huge, fearful, ingenuous monster!
If your regard, your smile, your foot, open for me
An Infinite I love but have not ever known?

From God or Satan, who cares? Angel or Siren,
Who cares, if you make, — fay with the velvet eyes,
Rhythm, perfume, glimmer; my one and only queen!
The world less hideous, the minutes less leaden?

Les Fleurs du mal (The Flowers of evil) by Charles Baudelaire (1861)

😛

A SERPENTE QUE DANÇA

Posted in Lendo e Relendo with tags , , on março 25, 2010 by Fernando Gomes

Indolente querida, como eu amo
Para ver a pele
De seu corpo tão bonito
suave como seda!

Após a sua cabeça pesada de cabelo
Com os seus aromas acres,
Aventureiro, mar odorante
Com ondas de azul e marrom,

Como um navio que desperta
Para o vento da manhã,
Minha alma sonhadora se lança a navegar
Para um céu distante.

Seus olhos, onde nada é revelado
Do amargo ou doce,
São duas jóias frias onde se misturam
Ferro e ouro.

Para vê-lo andar em cadência
Com fino desleixo,
Alguém poderia dizer que uma cobra que dança
No final de uma equipe.

Sob o peso da indolência
Seu filho como balançar a cabeça
Suavemente para lá e para cá como a cabeça
De um elefante jovem,

E seu corpo se estende e se inclina
Como um navio delgado
Que rola de lado a lado e mergulha
Seus estaleiros no mar.

Como um córrego inchados pelo degelo
Das geleiras estrondo,
Quando a água sobe da sua boca
Para a borda de seus dentes,

Parece que eu beber vinho boémio,
Amargo e conquistando,
Um líquido céu que espalha
Estrelas no meu coração!
Les Fleurs du mal by Charles Baudelaire.

😮