Archive for the Lendo e Relendo Category

HINO À BELEZA

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , on maio 6, 2011 by Fernando Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

Hymn to Beauty

Do you come from Heaven or rise from the abyss,
Beauty? Your gaze, divine and infernal,
Pours out confusedly benevolence and crime,
And one may for that, compare you to wine.

You contain in your eyes the sunset and the dawn;
You scatter perfumes like a stormy night;
Your kisses are a philtre, your mouth an amphora,
Which make the hero weak and the child courageous.

Do you come from the stars or rise from the black pit?
Destiny, bewitched, follows your skirts like a dog;
You sow at random joy and disaster,
And you govern all things but answer for nothing.

You walk upon corpses which you mock, O Beauty!
Of your jewels Horror is not the least charming,
And Murder, among your dearest trinkets,
Dances amorously upon your proud belly.

The dazzled moth flies toward you, O candle!
Crepitates, flames and says: “Blessed be this flambeau!”
The panting lover bending o’er his fair one
Looks like a dying man caressing his own tomb,

Whether you come from heaven or from hell, who cares,
O Beauty! Huge, fearful, ingenuous monster!
If your regard, your smile, your foot, open for me
An Infinite I love but have not ever known?

From God or Satan, who cares? Angel or Siren,
Who cares, if you make, — fay with the velvet eyes,
Rhythm, perfume, glimmer; my one and only queen!
The world less hideous, the minutes less leaden?

Les Fleurs du mal (The Flowers of evil) by Charles Baudelaire (1861)

😛

LICANTROPIA E INSPIRAÇÃO

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , on maio 5, 2011 by Fernando Gomes

Quem ai já ouviu falar em Licantropia? Aposto que quase todos! Eu, particularmente, como um estudioso e fã confesso de mitologia, historia, criptozoologia, entre outras coisas esquisitas e extremamente interessantes, adoro o assunto. Sou fascinado pelas lendas de lobisomens, que existem ao redor do mundo, em especial, me espanto em como todas estas lendas e mitos espalhados, assim como o dos vampiros, estão, de certa forma, conectados, sendo muito parecida em certos aspectos. Mas a licantropia, na verdade é uma especie de doença mental, catalogada desde muito tempo atrás, onde a pessoa afetada comporta-se como um verdadeiro lobo e, em casos extremos, chegando a cometer até canibalismo. A palavra Licantropia vem da junção das palavras  gregas “Likos” (lobo) e “Antrophos”  (homem), ou seja, Licantropo é igual a Homem Lobo, ou lobisomem. Este nome vem da lenda do rei Lycaon, um poderoso e terrivel rei que governou a Arcadia, e  que tentou enganar Zeus, o pai dos deuses, com um banquete  contendo carne humana. Porém, Zeus, obviamente, percebeu o engodo e, como forma de punição, o transformou em um ser, metade homem, metade lobo.

Um dos melhores trabalhos feitos sobre Licantropia, suas lendas  e mitos, foi feito em 1865 pelo escritor Sabine Baring-Gould  (1834-1924) e se

Lycaon transformado em Lobo - By Hendrik Goltzius -1589 -

chama O Livro dos Lobisomens (The Book of Werewolves) que teve varias re-edições ao longo dos anos, inclusive uma recente, em 2008, que esta sendo distribuida pela editora Aleph e é encontrada com facilidade em praticamente  todas as livrarias. Neste incrivel estudo feito pelo escritor, é  feito um apanhado geral da licantropia, bem como da lenda dos Lobisomens em, praticamente, todo o mundo, com varios estudos de caso, contos, comparações, entre outros assuntos intrigantes e extremamente interessantes. Com certeza, até hoje, é um dos melhores, se não o melhor tratado sobre Licantropia  e o mito do lobisomem ja feitos em  toda a historia. Para quem gosta de historia, mitologia ou precisa de informações ou inspiração sobre o tema, é leitura, com certeza, indispensável!

Aqui o link da editora Aleph  para comprar o livro, cujo preço está em R$34,00 – Porém, ele também pode ser encontrado em sebos, com edições anteriores, praticamente iguais, a preços menores. Mas eu garanto! R$ 34,00 é um preço bem justo por esta obra! 🙂

A QUEDA DO QUERUBIN

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , , , on maio 4, 2011 by Fernando Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pelo espaço que abrange no orbe humano
Nove vezes o dia e nove a noite,
Ele com sua multidão horrenda,
A cair estiveram derrotados
Apesar de imortais, e confundidos
Rolaram nos cachões de um mar de fogo.
Sua condenação, porém, o guarda
Para mais fero horror: e vendo agora
Perdida a glória, perenal a pena,
Este duplo prospecto na alma o punge.

Lança em roda ele então os tristes olhos
Que imensa dor e desalento atestam,
Soberba empedernida, ódio constante:
Eis quando de improviso vê, contempla,
Tão longe como os anjos ver costumam,
A terrível mansão, torva, espantosa,
Prisão de horror que imensa se arredonda
Ardendo como amplíssima fornalha.
Mas luz nenhuma dessas flamas se ergue;
Vertem somente escuridão visível
Que baste a pôr patente o hórrido quadro
Destas regiões de dor, medonhas trevas
Onde o repouso e a paz morar não podem,
Onde a esperança, que preside a tudo,
Nem sequer se lobriga: os desgraçados
Interminável aflição lacera
E de fogo um dilúvio alimentado
De enxofre abrasador, inconsumptível.

A justiça eternal tinha disposto
Para aqueles rebeldes este sítio:
Ali foram nas trevas exteriores
Seu cárcere e recinto colocados,
Longe do excelso Deus, da luz empírea,
Distância tripla da que os homens julgam
Do centro do orbe à abóbada estrelada.
Oh! como esse lugar, onde ora penam,
É diverso do Céu donde caíram!

Logo o monstro descobre a turba vasta
Dos tristes que na queda tem por sócios
Arfando em tempestuosos torvelinos
Do undoso lume que hórrido os flagela.
Próximo dele ali coas vagas luta
O anjo, imediato seu em mando e crimes,
Que foi chamado nas vindouras eras
Belzebu, nome à Palestina grato.

Então o arqu’inimigo, que no Empíreo
Foi chamado Satã desde esse tempo,
O silêncio horroroso enfim quebrando,
Nesta frase arrogante assim lhe fala:

“És tu, arcanjo herói! Mas em que abismo
Te puderam lançar! Como diferes
Do que eras lá da luz nos faustos reinos,
Onde, sobre miríades brilhantes,
Em posto tão subido fulguravas!
Mútua liga, conselhos, planos mútuos,
Esperanças iguais, iguais perigos
Uniram-nos na empresa de alta glória;
Mas agora a desgraça nos ajunta
Deste horrível estrago nos tormentos!
Caídos de que altura e em qual abismo
Nos achamos aqui tão derrotados!
Co’os raios tanto pôde o que é mais forte.
Té’gora quem sabia ou suspeitava
Dessas armas cruéis a valentia?
Mas nem por elas, nem por quanta raiva
Possa infligir-me o Vencedor potente,
Não me arrependo, de tenção não mudo,
Posto mudado estar meu brilho externo.
Rancor extremo tenho imerso n’alma
Pela alta injúria feita a meu heroísmo:
Ele impeliu-me a combater o Eterno,
E trouxe logo às férvidas batalhas
Inúmera aluvião de armados Gênios
Que dele o império aborrecer ousaram,
E, a mim me preferindo, opor quiseram
Nas planícies do Céu, em prélio dúbio,
As forças próprias às opostas forças
Fazendo-lhe tremer o empíreo sólio.
Que tem perder-se da batalha o campo?
Tudo não se perdeu; muito inda resta:
Indômita vontade, ódio constante,
De atras vinganças decidido estudo,
Valor que nunca se submete ou rende
(Nobre incentivo para obter vitória),
Honras são que jamais há-de extorquir-me
Do Eterno a ingente força e inteira raiva.
Perdão de joelhos suplicar-lhe humilde,
Acatar-lhe o poder, cujo alto império
No âmbito inteiro vacilou há pouco
Pelo impulso e terror das minhas armas,
Fora abjecta baixeza, infâmia fora,
Muito piores que este infando estrago.
Já que, segundo ordenam os destinos,
Não pode ser em nós aniquilada
Esta empírea substância e empírea força,
Já que pela experiência desta ruína
Muito ganhado em previsão nós temos,
Condição que na guerra é de alta monta,
Tentar podemos com mais fausto agouro,
Por força ou por ardis, sem fim, sem pausa,
Contra o excelso Inimigo eterna guerra,
Ele agora que, em júbilos nadando,
Nímio se ufana, vencedor soberbo,
Porque dos Céus no sublimado trono
Administra absoluto a tirania!”

Deste modo o anjo apóstata se expressa;
Alta jactância as penas lhe não tolhem:
Mas atroz desespero o rala e punge.
Logo assim lhe responde o ousado sócio:

“Príncipe, chefe dos imensos tronos
Que às batalhas trouxeste em teu comando,
Tu que, por feitos da mais nobre audácia,
Querendo conhecer a quanto avonda
Do Rei dos Céus a grã supremacia,
Em p’rigo lhe puseste o império e a glória,
Vejo, e punge-me assaz, o atroz sucesso
Com que o Céu (seja força, acaso, ou sorte)
Em tão pesada perdição nos lança
Com tamanha vergonha e tanto estrago;
Vejo, e punge-me assaz, que a tal baixeza
Chegasse nosso exército tão forte,
A ponto de sofrer quanto é possível
Que substâncias do Céu e Deuses sofram.
Porém, quanto ao valor e aos brios d’alma,
Invencíveis nós somos; dentro em breve
Recobraremos o vigor antigo,
Inda que extinta jaz a nossa glória,
E aqui a nossa dita se sepulte
Nesta horrível miséria interminável.
Mas, se o Conquistador (que hoje não posso
Deixar de reputá-lo Onipotente,
Pois que com força pôs em plena ruína
Nossas forças, que invictas eu julgava),
Se ele, digo, nos quis deixar quais eram
Nossos grandes espíritos e forças
Para podermos suportar o peso
Dos flagícios cruéis com que nos punge,
Para podermos a medida toda
Encher-lhe da vingança em que se abrasa,
Ou fazer-lhe um serviço mais penoso
Como cativos seus por jus de guerra
(Seja aqui trabalhar em vivo fogo
No doloroso coração do Inferno,
Seja levar-lhe as hórridas mensagens
Pelas mansões do tenebroso Abismo),
Então… aproveitar-nos como podem
Nossos grandes espíritos e forças,
Posto que tais quais eram as sintamos,
Eternas só para castigo eterno?”

O arqu’inimigo prontamente o atalha:
“Degenerado querubim! Faz pejo
Não ter constância na paciência e lidas.
Podes seguro estar que jamais, nunca,
Fazer um bem qualquer nos é possível;
Mas que sempre será da essência nossa
Fazer todos os males que atormentam
A alta vontade do Opressor ovante.
Se acaso intenta a Providência sua
Algum bem extrair dos males nossos,
Busquemos perverter-lhe o fim proposto
Fazendo de tal bem fonte de males.
Muitas empresas destas são possíveis
Que hão de por certo o coração ralar-lhe,
E muitas vezes no estudado plano
Hão de turbar-lhe o entendimento irado.

A guerra no céu e a queda de Lucifer – Paradise Lost By John Milton (1667)

A SERPENTE QUE DANÇA

Posted in Lendo e Relendo with tags , , on março 25, 2010 by Fernando Gomes

Indolente querida, como eu amo
Para ver a pele
De seu corpo tão bonito
suave como seda!

Após a sua cabeça pesada de cabelo
Com os seus aromas acres,
Aventureiro, mar odorante
Com ondas de azul e marrom,

Como um navio que desperta
Para o vento da manhã,
Minha alma sonhadora se lança a navegar
Para um céu distante.

Seus olhos, onde nada é revelado
Do amargo ou doce,
São duas jóias frias onde se misturam
Ferro e ouro.

Para vê-lo andar em cadência
Com fino desleixo,
Alguém poderia dizer que uma cobra que dança
No final de uma equipe.

Sob o peso da indolência
Seu filho como balançar a cabeça
Suavemente para lá e para cá como a cabeça
De um elefante jovem,

E seu corpo se estende e se inclina
Como um navio delgado
Que rola de lado a lado e mergulha
Seus estaleiros no mar.

Como um córrego inchados pelo degelo
Das geleiras estrondo,
Quando a água sobe da sua boca
Para a borda de seus dentes,

Parece que eu beber vinho boémio,
Amargo e conquistando,
Um líquido céu que espalha
Estrelas no meu coração!
Les Fleurs du mal by Charles Baudelaire.

😮

MAIS UMA DE GUSTAV DORÉ

Posted in De tudo um pouco, Lendo e Relendo with tags , , , on fevereiro 24, 2010 by Fernando Gomes

Não me canso aqui sempre de falar, e de lembrar, este grande artista que foi Gustave Doré. Fico sempre maravilhado com seus trabalhos, seu traço perfeito, suas imagens grandiosas, mesmo que de pequenas situações. Se possível, ainda farei maqui neste blog uma sessão só para ele.

Mais uma obra, direto de Paradise Lost, de John MIlton, Lúcifer sendo expulso do Paraiso, um de meus prediletos !

Com certeza terão mais destes aqui !

Até mais ! 🙂

O TERROR DOS TERRORES

Posted in De tudo um pouco, Lendo e Relendo with tags , , , on setembro 28, 2009 by Fernando Gomes

O problema que aqui apresento não consiste em rediscutir o lugar humanidade na escala dos seres viventes (– o homem é um fim –): mas que tipo de homem deve ser criado, que tipo deve ser pretendido como sendo o mais valioso, o mais digno de viver, a garantia mais segura do futuro. Este tipo mais valioso já existiu bastantes vezes no passado: mas sempre como um afortunado acidente, como uma exceção, nunca como algo deliberadamente desejado. Com muita freqüência esse foi precisamente o tipo mais temido; até ao presente foi considerado praticamente o terror dos terrores; – e devido a esse terror, o tipo contrário foi desejado, cultivado e atingido: o animal doméstico, o animal de rebanho, a doentia besta humana: o cristão…

 – O Anticristo By Friederich Wilhelm Nietzsche

OBS: Odiado por uns, amado por outros, o Anticristo é talvez a obra mais controversa e interessante deste pensador. Em minha opinião, deixando de lado a opinião dele a respeito deste tema (cristianismo). O grande ganho lendo este livro é que ele lhe faz pensar, de verdade… vale a pena dar uma Olhada..

😉

VIRTUDE SEM MORALISMOS

Posted in De tudo um pouco, Lendo e Relendo on abril 23, 2009 by Fernando Gomes

O que é bom? – Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o
próprio poder.
O que é mau? – Tudo que se origina da fraqueza.
O que é felicidade? – A sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada.
Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude,
mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(1), virtude desvinculada de moralismos).
Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente
deve−se ajudá−los nisso.
O que é mais nocivo que qualquer vício? – A compaixão posta em prática em nome dos
malogrados e dos fracos – o cristianismo…

O Anticristo By Friedrich Wilhelm Nietzsche