Batendo um papo com Kafka em um domingo de chuva

Domingo de madrugada, sem sono, tenho que acordar cedo para trabalhar, trabalhar no domingo, ninguém merece, bom, talvez, eu mereça. De repente me pego pensando em mudanças, principalmente as mais recentes que estão ocorrendo, tanto em minha vida, quanto no mundo. Quase  que instantaneamente me vem a imagem do celebre caixeiro viajante, criado por Kafka, que, em uma bela manhã, acorda transformado em uma barata, e isso gera uma mudança tremenda, uma metamorfose, tanto em sua vida, quanto na dos que o rodeiam. Na obra de Kafka, estas mudanças resultam em ações positivas, subjugando a intolerância e o preconceito ao no final das contas, porém, isso realmente acontece desta forma? Veja o mundo, por exemplo: Pela primeira vez na história, teremos uma olimpíada que será o símbolo da intolerância (acredito que nem em Berlin, em 1936, quando um negro humilhou a então raça superior de Hitler, no limiar da segunda guerra mundial, isso ocorreu) onde a tocha olímpica tem que passar escondida nos lugares para não ser atacada. Ainda temos lutas infindáveis pelo mundo, por causa de religião, política, disputas de terra. Hoje fiquei sabendo que agora existem até extremistas vegetarianos, que acham que quem come carne é inferior, pelo amor de Deus! Pensando em tudo isso, começo a pensar em mim mesmo, e nas mudanças que ocorreram recentemente em minha vida, nas metamorfoses que ocorrem conosco ou que são oriundas de outras mudanças em pessoas ao nosso redor, nos afetando de tabela, bem como isso afeta o mundo a nossa volta, infelizmente, em muitas ocasiões, de forma negativa. Como resultado de uma destas metamorfoses, hoje em dia me dou conta de que enxergo o mundo de forma bem mais pragmática em relação a muitos assuntos, porém, também aprendi (OK, isso já deveria ser obvio, mas sou simplesmente humano!) que devemos mesmo é celebrar as diferenças, pois são elas é que nos fazem humanos, seres únicos, verdadeiros universos. Estes pensamentos nos remetem a sentimentos mais nobres, como a tolerância, compreensão, compaixão, amizade e até o amor. Porém, como somos humanos e, como humanos que somos, somos imperfeitos, e uma de nossas maiores imperfeições como raça  é complicar as coisas, fazendo com que deixemos de enxergar o obvio e, para que isso realmente aconteça, a maré tem que mudar e nos dar um verdadeiro choque nos sentidos. Pena que não podemos controlar isso não é?

Pois é, no final das contas, Kafka estava certo mesmo…

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