O KARMA EM UM HAI-KAI

Posted in Hai-Kai with tags , , , on novembro 17, 2011 by Fernando Gomes

Um Hai-Kai para um pensamento em um noite de insônia…

Primeiramente fui alento…
Depois, virei tormento!
Agora, não passo de folhas ao vento…

Um Hai-Kai em homenagem ao Karma 🙂

EL SHADDAI: ASCENCION OF THE METRATON – DEMO PARA PS3

Posted in Demos e Preview, Gaming with tags , , , , on junho 26, 2011 by Fernando Gomes

Desenvolvido por Takeyasu Sawaki, o mesmo por trás dos incríveis Devil May Cry e Okami, o game conta a historia de Enoch, um padre cuja missão é destruir sete anjos caídos, que querem iniciar uma imensa inundação, um dilúvio, para acabar com o a raça humana de vez. Neste caminho, Enoch é auxiliado por um cara chamado Lúcifer (sim, ele mesmo, mas antes de sua expulsão, ou queda), um anjo da guarda encarregado da proteção do mundo que existe fora do fluxo do tempo, e por quatro Arcanjos: Rafael, Uriel, Gabriel e Miguel. História mais que interessante e que, com certeza, é formula de sucesso! Correto? Errado! Pelo menos pelo que está aparente neste demo, aqui testado no Playstation 3.

Pelo que é mostrado no demo, trata-se de um game em terceira pessoa, no bom e velho estilo hack and slash, onde o protagonista não possui armas, e sim as rouba de seus inimigos das trevas, convertendo-as em “armas divinas”. Até ai tudo bem bolado e divertido, porém, as armas são as mais esquisitas e sem graça possíveis, como uma espécie de “arco” que não lança flechas, e você só bate nos inimigos com ele, ou em outro caso, uns cristais em que você pode acertar os inimigos de longe com uma espécie de petardo, este ai um pouco menos pior. Quanto as lutas, extremamente tediosas, no estilo “fecha a sala, bate em todos os inimigos, abre a sala, vai para uma nova sala, e tudo se inicia novamente” sem puzzles, pelo menos neste demo, ou alguma aparente evolução do personagem. A fotografia é tosca, com cenários horripilantes e gráficos que lembram a porcaria chamada No More Heroes, ou algum game antigo de Playstation 1, principalmente quando a coisa pende para a aparência dos personagens, com Um Enoch parecendo um Stormtropper, vestindo meia armadura, e sem detalhe algum. Alguns vão falar que são gráficos artísticos, com Cell Shading, etc.. Mas, no caso de El Shaddai, isso não cola, vide Okami, do mesmo diretor, que é um game artístico, porém, extremamente bem feito, uma verdadeira obra de arte narrativa e gráfica. Os inimigos são toscos e parecem ter saído do game Pandemonium, um bom game e um dos carros chefes do antigo Playstation 1, mas que, para este game, não funcionam de forma alguma. No demo, fui até o que seria um dos anjos caídos, que mais parecia um personagem do game Patapon, para o PSP.

Em resumo, pelo que foi apresentado neste demo, El Shaddai aparenta ser mais um game onde o Hype e a inspiração em um grande folclore podem disseminá-lo bem, mas que, porém, se o game completo seguir somente o que o demo mostrou, tende a ser um dos mais retumbantes fracassos deste ano. Sinceramente, espero que não! Com certeza, em seu lançamento, pretendo fazer um review completo. Aguardem… 😉

El Shaddai será lançado para Playstation 3 e Xbox 360, e tem sua data prevista para 26 de Julho de 2011, no Ocidente. No Japão, a principio, já foi lançado em Abril.

Galeria de Fotos:

Veja também um Video de El Shaddai, do Gamespot:

Um Pouco de Mitologia:

El Shaddai usa, como já disse acima, varias referencias do antigo testamento e do livro de Enoch. Vamos a algumas curiosidades, apenas para situar o ávido leitor:

El Shaddai, na mitologia Judaica, é um dos nomes de Deus (uma tradução mais próxima seria algo como “Deus todo-poderoso”) que também é relacionado ao nome Metraton, que é um dos anjos de Deus.

Na mitologia do Judaísmo, Metraton é um Serafim, a classe mais poderosa na hierarquia angélica e o mais poderoso de todos os serafins, tendo 72 asas, separadas por 12 pares de 6, incontáveis olhos, que seriam necessários para observar a tudo e a todos. Seu poder somente estaria abaixo do poder do próprio Deus. Seu nome quer dizer “Mais próximo do trono”, ou seja, está ao lado de Deus, governando o universo.

Segundo o que está escrito em Genesis, capitulo 5, versos de 22 a 24, Metraton, na verdade, seria a outra forma de Enoch, que fora transformado por Deus: “E andou Enoch com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoch trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoch com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou. Este Enoch, cuja carne foi transformada em chama, suas veias ao fogo, seus cílios para relâmpagos, seus olhos para tochas de fogo, e a quem Deus colocou em um trono ao lado do trono da glória, recebeu após esta celestial a transformação do nome Metatron”.

🙂

FELIZ DIA DOS NAMORADOS: REVISITANDO

Posted in De tudo um pouco with tags on junho 12, 2011 by Fernando Gomes

“Um casal de namorados estavam andando de moto: Menina: Vai devegar estou com medo. Menino: Não, isso é divertido. Menina: Está me assustando… Menino: Então Diz que me ama Menina: Eu te amo, agora vai devagar. Menino: Então me abraça. A menina o abraçou: Menina: Agora vai devagar. Menino: Tira o meu capacete e coloca com você, ele está me machucando. Menina: Está bem. No jornal do dia seguinte: Acidente: uma moto estava com o freio estragado, haviam duas pessoas e apenas uma sobreviveu: Moral: Quando o Namorado descia o morro viu que o freio não estava funcionando, então pediu quis ouvir pela última vez a menina dizer que o amava, depois de sentir o seu abraço pela última vez, e pedir para ela colocar o capacete dele nela, para apenas ela sobreviver!”

Neste dia especial, cubra de beijos, abraços e de muito carinho, aquele, ou aquela, para quem você daria seu capacete sem pensar duas vezes, pois, mesmo que você tenha pouco, mas tenha com quem compartilhar este pouco, você pode se considerar a pessoa mais rica do mundo…

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Eu postei este texto acima, neste mesmo dia, a exatos 3 anos, mas acho que ele continua tão simples, e tão verdadeiro em sua mensagem, que se faz necessário publica-lo novamente. Nestes ultimos 3 anos, muita coisa aconteceu, comigo: Pessoas entraram e sairam da minha vida, percebi novas mentiras e concebi novas verdades, adorei falsos idolos e quebrei a cara com o que era “certo e sem erros”  enfim, aprendi, cresci, evolui, pois percebi que tudo isso que aconteceu, foi a vida me dizendo -” Desencana, isso não era para você! Você iria se machucar demais, além do que se machucou”

Aprendi a ouvir tudo isso, e hoje, com certeza, estou bem mais feliz,e ainda procurando aquela para quem eu daria meu capacete, sem sombra de duvida ou arrependimento!

FELIZ DIA DOS NAMORADOS PARA TODOS! 🙂

DARK THOUGHTS IN BLANK VERSES

Posted in Eu Comigo with tags , on maio 22, 2011 by Fernando Gomes

At this night, It strikes again
The beast is on the loose
With Its sulfur breath
Its teeth is all huge
Its fangs is deadly
And it sticks them in my mind
Piercing into my very soul

It laughs at me, very high
I´m in its hands now
Totally bound to its will
Once more time, again
But I am getting strong, yes!
Building my wall, brick by brick
I´m sharpening my sword

My armor is getting harder
My spear has a long range
And I will fight this beast
I declare war to it.
I will fight it, battle by battle
Night by night
Stabbing its belly
Cutting its head once for all

But, like the hidra, its prevail
So I don´t put my guard down
Cause this beast lives with me
It lives in me, inside my mind
So it will keeping  attacking me
But, I´m far stronger now
And, someday, I will win
It draw first blood yes
But I will make the final blow
And I will walk in the sun again…

                                   By Fernando Gomes

HINO À BELEZA

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , on maio 6, 2011 by Fernando Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

Hymn to Beauty

Do you come from Heaven or rise from the abyss,
Beauty? Your gaze, divine and infernal,
Pours out confusedly benevolence and crime,
And one may for that, compare you to wine.

You contain in your eyes the sunset and the dawn;
You scatter perfumes like a stormy night;
Your kisses are a philtre, your mouth an amphora,
Which make the hero weak and the child courageous.

Do you come from the stars or rise from the black pit?
Destiny, bewitched, follows your skirts like a dog;
You sow at random joy and disaster,
And you govern all things but answer for nothing.

You walk upon corpses which you mock, O Beauty!
Of your jewels Horror is not the least charming,
And Murder, among your dearest trinkets,
Dances amorously upon your proud belly.

The dazzled moth flies toward you, O candle!
Crepitates, flames and says: “Blessed be this flambeau!”
The panting lover bending o’er his fair one
Looks like a dying man caressing his own tomb,

Whether you come from heaven or from hell, who cares,
O Beauty! Huge, fearful, ingenuous monster!
If your regard, your smile, your foot, open for me
An Infinite I love but have not ever known?

From God or Satan, who cares? Angel or Siren,
Who cares, if you make, — fay with the velvet eyes,
Rhythm, perfume, glimmer; my one and only queen!
The world less hideous, the minutes less leaden?

Les Fleurs du mal (The Flowers of evil) by Charles Baudelaire (1861)

😛

LICANTROPIA E INSPIRAÇÃO

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , on maio 5, 2011 by Fernando Gomes

Quem ai já ouviu falar em Licantropia? Aposto que quase todos! Eu, particularmente, como um estudioso e fã confesso de mitologia, historia, criptozoologia, entre outras coisas esquisitas e extremamente interessantes, adoro o assunto. Sou fascinado pelas lendas de lobisomens, que existem ao redor do mundo, em especial, me espanto em como todas estas lendas e mitos espalhados, assim como o dos vampiros, estão, de certa forma, conectados, sendo muito parecida em certos aspectos. Mas a licantropia, na verdade é uma especie de doença mental, catalogada desde muito tempo atrás, onde a pessoa afetada comporta-se como um verdadeiro lobo e, em casos extremos, chegando a cometer até canibalismo. A palavra Licantropia vem da junção das palavras  gregas “Likos” (lobo) e “Antrophos”  (homem), ou seja, Licantropo é igual a Homem Lobo, ou lobisomem. Este nome vem da lenda do rei Lycaon, um poderoso e terrivel rei que governou a Arcadia, e  que tentou enganar Zeus, o pai dos deuses, com um banquete  contendo carne humana. Porém, Zeus, obviamente, percebeu o engodo e, como forma de punição, o transformou em um ser, metade homem, metade lobo.

Um dos melhores trabalhos feitos sobre Licantropia, suas lendas  e mitos, foi feito em 1865 pelo escritor Sabine Baring-Gould  (1834-1924) e se

Lycaon transformado em Lobo - By Hendrik Goltzius -1589 -

chama O Livro dos Lobisomens (The Book of Werewolves) que teve varias re-edições ao longo dos anos, inclusive uma recente, em 2008, que esta sendo distribuida pela editora Aleph e é encontrada com facilidade em praticamente  todas as livrarias. Neste incrivel estudo feito pelo escritor, é  feito um apanhado geral da licantropia, bem como da lenda dos Lobisomens em, praticamente, todo o mundo, com varios estudos de caso, contos, comparações, entre outros assuntos intrigantes e extremamente interessantes. Com certeza, até hoje, é um dos melhores, se não o melhor tratado sobre Licantropia  e o mito do lobisomem ja feitos em  toda a historia. Para quem gosta de historia, mitologia ou precisa de informações ou inspiração sobre o tema, é leitura, com certeza, indispensável!

Aqui o link da editora Aleph  para comprar o livro, cujo preço está em R$34,00 – Porém, ele também pode ser encontrado em sebos, com edições anteriores, praticamente iguais, a preços menores. Mas eu garanto! R$ 34,00 é um preço bem justo por esta obra! 🙂

A QUEDA DO QUERUBIN

Posted in Lendo e Relendo with tags , , , , , on maio 4, 2011 by Fernando Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pelo espaço que abrange no orbe humano
Nove vezes o dia e nove a noite,
Ele com sua multidão horrenda,
A cair estiveram derrotados
Apesar de imortais, e confundidos
Rolaram nos cachões de um mar de fogo.
Sua condenação, porém, o guarda
Para mais fero horror: e vendo agora
Perdida a glória, perenal a pena,
Este duplo prospecto na alma o punge.

Lança em roda ele então os tristes olhos
Que imensa dor e desalento atestam,
Soberba empedernida, ódio constante:
Eis quando de improviso vê, contempla,
Tão longe como os anjos ver costumam,
A terrível mansão, torva, espantosa,
Prisão de horror que imensa se arredonda
Ardendo como amplíssima fornalha.
Mas luz nenhuma dessas flamas se ergue;
Vertem somente escuridão visível
Que baste a pôr patente o hórrido quadro
Destas regiões de dor, medonhas trevas
Onde o repouso e a paz morar não podem,
Onde a esperança, que preside a tudo,
Nem sequer se lobriga: os desgraçados
Interminável aflição lacera
E de fogo um dilúvio alimentado
De enxofre abrasador, inconsumptível.

A justiça eternal tinha disposto
Para aqueles rebeldes este sítio:
Ali foram nas trevas exteriores
Seu cárcere e recinto colocados,
Longe do excelso Deus, da luz empírea,
Distância tripla da que os homens julgam
Do centro do orbe à abóbada estrelada.
Oh! como esse lugar, onde ora penam,
É diverso do Céu donde caíram!

Logo o monstro descobre a turba vasta
Dos tristes que na queda tem por sócios
Arfando em tempestuosos torvelinos
Do undoso lume que hórrido os flagela.
Próximo dele ali coas vagas luta
O anjo, imediato seu em mando e crimes,
Que foi chamado nas vindouras eras
Belzebu, nome à Palestina grato.

Então o arqu’inimigo, que no Empíreo
Foi chamado Satã desde esse tempo,
O silêncio horroroso enfim quebrando,
Nesta frase arrogante assim lhe fala:

“És tu, arcanjo herói! Mas em que abismo
Te puderam lançar! Como diferes
Do que eras lá da luz nos faustos reinos,
Onde, sobre miríades brilhantes,
Em posto tão subido fulguravas!
Mútua liga, conselhos, planos mútuos,
Esperanças iguais, iguais perigos
Uniram-nos na empresa de alta glória;
Mas agora a desgraça nos ajunta
Deste horrível estrago nos tormentos!
Caídos de que altura e em qual abismo
Nos achamos aqui tão derrotados!
Co’os raios tanto pôde o que é mais forte.
Té’gora quem sabia ou suspeitava
Dessas armas cruéis a valentia?
Mas nem por elas, nem por quanta raiva
Possa infligir-me o Vencedor potente,
Não me arrependo, de tenção não mudo,
Posto mudado estar meu brilho externo.
Rancor extremo tenho imerso n’alma
Pela alta injúria feita a meu heroísmo:
Ele impeliu-me a combater o Eterno,
E trouxe logo às férvidas batalhas
Inúmera aluvião de armados Gênios
Que dele o império aborrecer ousaram,
E, a mim me preferindo, opor quiseram
Nas planícies do Céu, em prélio dúbio,
As forças próprias às opostas forças
Fazendo-lhe tremer o empíreo sólio.
Que tem perder-se da batalha o campo?
Tudo não se perdeu; muito inda resta:
Indômita vontade, ódio constante,
De atras vinganças decidido estudo,
Valor que nunca se submete ou rende
(Nobre incentivo para obter vitória),
Honras são que jamais há-de extorquir-me
Do Eterno a ingente força e inteira raiva.
Perdão de joelhos suplicar-lhe humilde,
Acatar-lhe o poder, cujo alto império
No âmbito inteiro vacilou há pouco
Pelo impulso e terror das minhas armas,
Fora abjecta baixeza, infâmia fora,
Muito piores que este infando estrago.
Já que, segundo ordenam os destinos,
Não pode ser em nós aniquilada
Esta empírea substância e empírea força,
Já que pela experiência desta ruína
Muito ganhado em previsão nós temos,
Condição que na guerra é de alta monta,
Tentar podemos com mais fausto agouro,
Por força ou por ardis, sem fim, sem pausa,
Contra o excelso Inimigo eterna guerra,
Ele agora que, em júbilos nadando,
Nímio se ufana, vencedor soberbo,
Porque dos Céus no sublimado trono
Administra absoluto a tirania!”

Deste modo o anjo apóstata se expressa;
Alta jactância as penas lhe não tolhem:
Mas atroz desespero o rala e punge.
Logo assim lhe responde o ousado sócio:

“Príncipe, chefe dos imensos tronos
Que às batalhas trouxeste em teu comando,
Tu que, por feitos da mais nobre audácia,
Querendo conhecer a quanto avonda
Do Rei dos Céus a grã supremacia,
Em p’rigo lhe puseste o império e a glória,
Vejo, e punge-me assaz, o atroz sucesso
Com que o Céu (seja força, acaso, ou sorte)
Em tão pesada perdição nos lança
Com tamanha vergonha e tanto estrago;
Vejo, e punge-me assaz, que a tal baixeza
Chegasse nosso exército tão forte,
A ponto de sofrer quanto é possível
Que substâncias do Céu e Deuses sofram.
Porém, quanto ao valor e aos brios d’alma,
Invencíveis nós somos; dentro em breve
Recobraremos o vigor antigo,
Inda que extinta jaz a nossa glória,
E aqui a nossa dita se sepulte
Nesta horrível miséria interminável.
Mas, se o Conquistador (que hoje não posso
Deixar de reputá-lo Onipotente,
Pois que com força pôs em plena ruína
Nossas forças, que invictas eu julgava),
Se ele, digo, nos quis deixar quais eram
Nossos grandes espíritos e forças
Para podermos suportar o peso
Dos flagícios cruéis com que nos punge,
Para podermos a medida toda
Encher-lhe da vingança em que se abrasa,
Ou fazer-lhe um serviço mais penoso
Como cativos seus por jus de guerra
(Seja aqui trabalhar em vivo fogo
No doloroso coração do Inferno,
Seja levar-lhe as hórridas mensagens
Pelas mansões do tenebroso Abismo),
Então… aproveitar-nos como podem
Nossos grandes espíritos e forças,
Posto que tais quais eram as sintamos,
Eternas só para castigo eterno?”

O arqu’inimigo prontamente o atalha:
“Degenerado querubim! Faz pejo
Não ter constância na paciência e lidas.
Podes seguro estar que jamais, nunca,
Fazer um bem qualquer nos é possível;
Mas que sempre será da essência nossa
Fazer todos os males que atormentam
A alta vontade do Opressor ovante.
Se acaso intenta a Providência sua
Algum bem extrair dos males nossos,
Busquemos perverter-lhe o fim proposto
Fazendo de tal bem fonte de males.
Muitas empresas destas são possíveis
Que hão de por certo o coração ralar-lhe,
E muitas vezes no estudado plano
Hão de turbar-lhe o entendimento irado.

A guerra no céu e a queda de Lucifer – Paradise Lost By John Milton (1667)