Eram 08h45min da manhã de hoje, onde, após uma reunião matinal, fui tomar um café no restaurante que fica dentro do condomínio onde trabalho, no distante vilarejo de Alphaville. Cheguei ao balcão, pedi meu café (não o preto, mas um chá gelado e um sanduiche natural) e, quando esperava meu pedido, presenciei um fato, que me fez pensar um pouco, e até escrever este artigo.
Uma das empregadas do restaurante veio correndo falar com a que deveria ser seu chefe, ou sua superior imediata, que estava ajudando no balcão a servir os clientes, devido ao pico do horário, avisa-la que havia ocorrido um acidente com sua filha (não sei exatamente a idade), que ela havia caído e quebrado seu braço. A mulher estava ofegante, com os olhos cheios d´água, e com certa ansiedade e pressa ao falar, denotando que a mesma estava realmente aflita, não por menos vamos convir. Ela então informou a chefe do ocorrido e também informou que teria que ir ao encontro da filha para ver o que ocorreu e acudi-la, como qualquer mãe normalmente agiria em uma situação assim, na minha humilde opinião. Ouvindo o relato da empregada, a chefe, que estava preparando um pedido para viajem de um cliente aguardando no balcão, olhou para ela, deu um sorriso seco e simplesmente disse “- hunf vai né!” com um ar meio que de desdém, como que estivesse se preocupando com o balcão, ou com o preparo do almoço, que estaria sendo serviço no restaurante dentro de algumas horas, mesmo este sendo composto por muitas outras profissionais, (que, em minha visão de cliente que frequenta o recinto diariamente, de segunda a sexta), que poderiam suprir, naquele dia, a falta da mãe desafortunada. Após esta resposta seca da chefa, a mulher, retirando, a toca para o cabelo e o avental, sai em disparada pela porta do restaurante, sussurrando algo como “Meu Deus! Meu Deus!”, deixando–me, pensando se este “Meu Deus!” seria “Meu Deus, posso perder o emprego!” ou “Meu Deus! como está minha filha! Preciso vê-la!” ou ainda os dois “Meu Deus!” juntos.
Bem, mas não foi em só isso que esta cena me fez pensar, mas em toda esta relação humano-corporativa-capitalista como um todo. Na verdade, eu sempre me senti muito incomodado com alguns aspectos da sociedade corporativa quando se trata do relacionamento humano, e, como a mídia, de um modo geral, também nos impulsiona a caminhos que nos levam cada vez mais longe, de nossa condição de ser humano, no sentido de realmente sermos diferenciados como indivíduos, e nos fazendo tornarmos algo como uma colônia de formigas altamente desenvolvida. Estes fatos me fizeram lembrar-me de coisas que presenciei durante minha carreira corporativa capitalista nestes últimos doze anos, sempre trabalhando em grandes empresas, participando de momentos chaves em muitas delas, como as pessoas, de um modo geral, se comportam, ou mesmo como é direcionada a informação para estas. Por exemplo, nas revistas voltadas para a tecnologia, era, e ainda é, comum ver propagandas de dispositivos que facilitam nossa vida no trabalho, bom, até ai, isso realmente é positivo. Porém sempre que aparecia uma propaganda assim, ela mostrava um homem, sentando a uma mesa, almoçando e, ao mesmo tempo, verificando um relatório gerencial de algum tipo (geralmente uma planilha de vendas ou um relatório de desempenho), ou uma mulher, sentada à beira da praia, em sua toalha de banho, vendo os filhos brincando na margem do mar, e, ao mesmo tempo, adivinha, consultando seu laptop e vendo relatórios disso e daquilo. Ou seja, a linha que separa sua vida pessoal do seu trabalho é partida e você, ao invés de trabalhar para viver, vive para trabalhar. Trocadilho antigo, mas que, nos dias de hoje, está provando-se verdadeiro. Eis que surge, daí, o chamado “Capitalismo Selvagem”.
SOCIALISTA, EU?
Mas, esperem ai! Por favor, não confundam este texto acima com alguma propaganda socialista, nacionalista, ou algum “ista” do gênero, pois isso eu não sou mesmo, até porque, (e isso é minha opinião apenas), acho que esta história de socialismo, esquerda, e afins, não existe. Toda a sociedade da chamada “esquerda” que consegue chegar ao poder acaba mudando, pois, por princípios, o ser humano é sim capitalista, está e nosso DNA o senso de competitividade e de ambição que, se bem dosados, são virtudes indispensáveis a qualquer um de nós. A maior prova de que isso é verdade é que, em cerca de 10.000 anos, o ser humano saltou das cavernas para a conquista do espaço. Claro, ainda temos mito, mas muito que aprender, porém, se fossemos socialistas por natureza, sim viveríamos em bandos, mas as ideias individuais, os esforços pessoais que geraram esforços coletivos para o alcance de um fim, seriam escassos ou nem existiriam e, provavelmente e ainda estaríamos morando em cavernas. Também acho toda esta história de nacionalismo exagerada, pois vivemos em um mundo cada vez mais globalizado. Oras, o Brasil faz muitas coisas boas, mas também faz muita coisa que não tem qualidade, mas isso é normal e existe em outros países também. O Brasil, por exemplo, produz as melhores novelas do mundo, diferentes das novelas americanas, por exemplo, que é um verdadeiro lixo (isso é só um exemplo bobo para mostrar algo serio, mas vale como exemplo). Em resumo, cada vez mais, vamos nos tornar cidadãos do mundo e, com certeza, o nosso próxima grande passo rum a uma evolução social e política realmente revolucionaria, será a extinção dos limites, o fim dos países e nações, bem como o começo de uma nova era onde todos pertencerão a um mesmo grupo, realmente. Obviamente nem nossos netos verão isso, mas um dia isso vai acontecer, ou é isso ou a extinção total (talvez ai seja a vez das baratas treinarem sobre a terra). E só para completar, o nacionalismo, o socialismo exacerbado, como ele sempre a acaba se tornando, pode, e se transforma, com certeza, em ditadura. Vide ai as republiquetas que nos cercam na America do sul, com Evo Morales e Hugo Chaves querendo ser os novos “Fideis” ou mesmo a Coreia do Norte, bem como o pior exemplo de tudo isso que falei, que ainda existe e é muito forte no mundo, como uma autentica seita de fanáticos: O Nazismo.
Ou seja, Lord Acton estava certo mesmo, pois o poder corrompe, bem como o poder absoluto corrompe absolutamente.
BUSCANDO O MELHOR DE CADA COISA
Obviamente, a ideia aqui é não ser subversivo nem elitista ou ditatorial, ou seja, esta história de poder para o povo é balela, pois o povo precisa sim ser governado, não pode ficar sem uma direção, as massas necessitam de orientação, mas algo que seja puramente humano, e não somente corporativista, ai esta o problema. É preciso que a sociedade corporativa se equilibre no aspecto humano da situação, entendendo também que existe vida após as 18h00min da tarde, assim como a outra parte também não deve se aproveitar disso e se rebelar, achando que tudo está contra ela, pois, felizmente, existem regras a cumprir, prazos e objetivos a se alcançar, agora ainda mais com todos estes conjuntos de siglas que vem aparecendo por ai, resultados de grandes e vergonhosos tropeços corporativos ao redor do mundo, que, a princípio, começou como modismos nas empresas, mas que agora sim, desempenham um papel fundamental na estrutura corporativa mundial. E isso é bom para todos, pois, regras mais coesas e boas praticas, associadas a um capitalismo mais humanista, podemos sim evoluir, como indivíduos e como sociedade, alcançando os resultados almejados pelas empresas e pelos profissionais, deixando sim o sentimento presente em decisões onde, as vezes, somente o calculísmo, é quem fala.
Ah sim! Lembram-se da chefa do começo deste texto, que ficou brava porque a mãe teria que ver a filha de braço quebrado? Ela estava grávida…
By Fernando Gomes…
07/12/2009